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4º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa

8 a 30 de Setembro de 2000

SIMONE DE OLIVEIRA
SIMONE... Apaixonadamente Simone de Macedo e Oliveira nasce em Lisboa a 11 de Fevereiro de 1938. Vivendo uma infância e uma adolescência muito alegre no meio de uma família extremamente unida e feliz
cujas origens misturam um avô paterno africano de S. Tomé e uma avó paterna belga, Simone era uma criança pacífica,
bonacheirona e gordinha a quem a mãe lhe chamava "pé-põe", de tão pachorrenta que era.
Uma brandura que pouco tem a ver com a genica de hoje e que, só mais tarde quando foi preciso, se revelou... Os primeiros anos de vida artística de Simone são passados aos microfones da rádio e da televisão e nos palcos
dos emblemáticos Serões para Trabalhadores organizados pela Emissora Nacional. Estamos em 1957.
Mas desde o princípio da sua carreira, Simone teve uma preferência por espaços íntimos,
onde a comunicação com as pessoas é a mais imediata... E respeitando todo o tipo de pessoas... Pessoa una e inteira, Simone, sempre de alguma maneira, enfrentou o lado feio da vida.
A sua vivência mostra que algumas vezes se estatelou bem no fundo mas soube sempre depois
juntar os cacos e começar tudo de novo, o que faz de Simone uma sobrevivente assumida das mais diversas derrocadas.
De certo modo, essa atitude perante a vida moldou a conhecida Simone das rebeldias, das raivas e das revoltas
mas sempre humana. Para Simone: "O ser humano toca-me, comove-me... Eu gosto muito das pessoas!"
Sabe que a vêem como uma pessoa altiva, que ela própria reconhece, mas sabe ser humilde quando é preciso.
Só não gosta que a magoem! Muito nacional, a Simone também foi internacional. Teve pelo menos algumas oportunidades de fazer uma carreira internacional,
mas o amor aos filhos, à família e à sua terra, impediram-na. Uma dessas oportunidades vem do responsável
do Olympia de Paris - Bruno Coquatrix - quando, em 1967, pela mão de Amália, ao actuar durante duas semanas
naquela célebre sala de espectáculos integrada numa embaixada de música portuguesa, é convidada para ficar em França
e fazer uma rodagem pelos casinos da Riviera para, ao fim de seis meses, ter o seu próprio show no Olympia.
Mas preferiu Portugal! Longe de seguir um estilo imposto ou herdado, foi Simone quem impôs o seu próprio estilo - e todos conhecem-no! -
e uma nova forma de cantar. E se Simone não deixa - nem nunca deixou - ninguém indiferente,
é porque leva para cima do palco a própria vida com as suas alegrias e as suas mortes - "...foi a cantar que desabafei,
e é a cantar que desabafo..." -; a própria vontade, com as suas afirmações e as suas recusas, a própria nudez,
com as suas confissões e os seus pudores. E porque se entrega, fica vulnerável à paixão e ao ódio... Porque ama Lisboa, não se imagina Simone sem Lisboa, nem Lisboa sem Simone. Mulher inquieta,
com forte personalidade mas de coração dado, Simone partilha a sua vida com grandes nomes da poesia portuguesa.
Um deles Ary dos Santos, para quem Simone era uma amiga muito especial, escreveria "O Meu Nome é Simone"
onde absorve todo o ser e o estar de Simone: " E este meu nome De tantos nomes feito Vento e silêncio Força, angústia e fome Amado ou odiado Perfeito ou imperfeito O meu nome, o meu nome O meu nome é mulher, é Simone..." Tudo na sua vida tem sido conseguido com muito esforço, com muito trabalho e com algumas lágrimas.
Consciente dos excessos das suas qualidades e dos seus defeitos, sempre lutou pelas suas convicções mais profundas.
Muita fé e muito coração fazem da Simone uma Artista que não se esquece de todos os que sempre tiveram com ela:
a mãe, o pai, os filhos e como lhe chamava "o Varela" que lhe ensinou como a não usar demais o coração,
como é seu hábito, como a arrefecer primeiro antes de reagir impulsivamente. Apaixonadamente aprendeu a ultrapassar a solidão! Apaixonada pelo risco, pelo desafio, pela aventura, Simone é também uma mulher simples e humilde. O suficiente,
"porque as pessoas são aquilo que são", para ser a primeira artista a fazer um show no Scarlatty Club em finais de 1979.
Consideraria esta casa como "um ponto de encontro de muitas pessoas que vivem o espectáculo apaixonadamente.
" E é apaixonadamente que Simone sempre pisa os palcos das canções, do teatro, da rádio e da televisão. A sua carreira marcada por uma força que ultrapassa os mais variados obstáculos manifestar-se-á num enorme,
mas ao mesmo tempo singelo, talento que fica gravado nestas simples palavras de Ary dos Santos: "Quanto caminho cantado Que eu andei..." Albino Cunha, com a colaboração de Armando Maciel Fonte bibliográfica: Eu, Simone me confesso - uma conversa - de Rita Olivaes 1997 Eu sou travesti! Tu és travesti! Com quantas mentiras nós todos vivemos. Com que fingimentos rimos e Sofremos. São regras do jogo que todos Jogamos Até sem saber... De "Travesti" Varela Silva
 
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